Mad Max: Who run the world?
- 20 de jun. de 2015
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Decidi que iria ao cinema, mas sabe aquele dia que nem você mesma se aguenta, que uma animação soa inadequada e um filme de romance parece entediante, seu último recurso é partir para a ação e rezar para que ela te distraia. Num dos últimos fins de semana de exibição de “Mad Max”, decido que quero tirar minhas próprias conclusões de um filme sobre o qual muitas já foram tiradas... a maioria delas dizia que se tratava de um filme feminista, assumo que mesmo sendo mulher cheguei ao cinema com preconceito, não é que sou contra o feminismo... mas acredito que para uma sociedade o mais próxima possível da perfeição, não deveriam existir nem o conceito de feminismo e muito menos o de machismo, e já esperava por um filme pouco marcante emocionalmente e muito bem resolvido na questão visual. O filme começa de forma eletrizante e se mantém assim até o final. Os efeitos são mesmo incríveis, mas logo no começo mudo de opinião quanto as emoções e lições transmitidas.
Naturalmente o primeiro a aparecer é Max (Tom Hardy), já tentando fugir de tudo e de todos, inclusive de seus próprios fantasmas. Tom Hardy já está acostumado a atuar sem depender de seu rostinho bonito, e mais uma vez prova que não tem medo de se sujar ou ter seu rosto coberto durante grande parte do filme, pra quem não lembra ele foi o vilão Bane do Batman. E de um jeito ou de outro é incrível.

Seguindo mais uns minutos no filme chegamos a tão esperada primeira aparição de Furiosa, papel de Charlize Theron, ela dá todo um novo significado a frase: “Um olhar diz mais que mil palavras” e isso se repete durante todo o filme o mais incrível é que há pouquíssimos diálogos, mas as grandes cenas do filme são feitas só com o olhar e é incrível como essa conversa silenciosa faz sentido entre Furiosa e Max. Charlize, assim como Tom se desprendeu um pouco de sua vaidade para esse papel, abriu mão de cabelos, limpeza e até mesmo uma de suas mãos, mesmo assim parece impossível para ela se tornar feia (o que sei que ela provou que consegue em Monster: Desejo Assasino).

Mas se engana quem acha que as boas atuações param por ai, minha maior surpresa veio da atuação Rosie Huntington-Whiteley, isso mesmo a modelo que atuou anteriormente em Transformers subistiuindo Megan Fox, que dessa vez aproveitou da lição de moral do filme para mostrar que é muito mais do que a figura de modelo deixa transparecer, que uma mulher pode ser modelo e inteligente e que pode até se tornar a mártir de uma causa.

Nicholas Hoult, no papel de Nux, para mim ensinou a lição mais bonita do filme, que toda a história tem dois lados e que devemos ser sábios o suficiente para ouvi-los. O rapaz que começa do lado dos vilões e passa boa parte do filme trabalhando em prol deles, guiado pelo amor percebe que tudo que acreditava ser certo estava errado e nos ensina que a morte é apenas uma consequência e se agirmos por uma boa causa, ai sim, teremos feito a diferença.

O filme é feminista a medida que coloca um exército de mulheres lideradas por Furiosa e apenas dois homens no grupo Max e Nux, e prova que essa união faz a força. Mostra homens dispostos a ajudá-las, que não ligam de ceder o volante a uma delas ou mesmo ceder a arma. Uma das cenas mais bonitas é quando Max tendo poucas balas, e já tendo errado duas, cede a arma a Furiosa e ainda serve de apoio para que ela atire, admitindo que ela é melhor atiradora do que ele. E é ai que está o segredo, não é uma questão de submissão de nenhuma das partes e sim dois pesos e duas medidas. Não vou estragar o final, e se pretende assistir esse filme prepare-se para esquecer da vida e passar duas horas grudado na cadeira, roendo as unhas. O desfecho só confirma um ideal onde mulheres são reconhecidas e levam o merecido crédito, mas não estão sozinhas e podem sim ter a ajuda de um homem.

Num filme de múltiplos heróis o maior deles é George Miller, o diretor, isso mesmo um homem, dessa nova cabeça que promete nos encher de orgulho ao trazer mulheres como heroínas e dar a nós o devido crédito e homens que sabem aceitar que podem ser ótimos em algumas coisas, mas não em tudo e que talvez precisem de nós em algum momento, e que nos permitam ajudar. Amém!
Virei fã declarada e percebi que aquele mundo pós-apocalíptico que parece estar tão distante não é assim tão diferente do nosso, há um bem e um mal, a gasolina é motivo até de contrabando (com o preço que pagamos hoje não estamos muito distante disso) e a água é um recurso escasso (o estado de São Paulo que o diga), mas o mais importante a lição de moral é a ESPERANÇA e esse filme transmite esse conceito para milhares de mulheres que por muito tempo buscam seu espaço e hoje percebem que grandes passos estão sendo dados, um filme de um diretor homem, com uma legião de fãs homens, com um nome de homem, que traz a mulher com uma das heroínas e ainda é sucesso de bilheteria, não deixa nada mais a ser dito. E que para os machistas que saíram bravos do cinema porque pouco viram do antigo Mad Max, que vocês fiquem cada vez mais bravos com o espaço que se abre para nós e muito obrigada por levar seus filhos ao cinema, ESTES foram tocados e tem a possibilidade de se tornarem futuros George Miller.
What a lovely day!







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